Diogo Luz
Tecnologia com contexto
Especial / Inteligência artificialComportamento + tecnologia

Brasileiros usam ChatGPT para tirar dúvidas de saúde, desabafar e refletir sobre a vida, aponta estudo

Pesquisa analisou mais de 40 mil conversas no Brasil e identificou que assuntos pessoais predominam no uso da inteligência artificial

Colagem editorial em preto, branco e amarelo de uma mulher com celular e, sobre a mesa, um livro fechado, um copo de água, uma luminária e um termômetro.
Ilustração editorial gerada com IA
01 / Uso pessoal

O cotidiano
entra na conversa.

Desabafar, falar sobre sentimentos e buscar conselhos estão entre os principais usos do ChatGPT no Brasil. Um estudo com participação da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, identificou que 63,7% das conversas brasileiras analisadas tinham finalidade pessoal. Entre os assuntos mais frequentes aparecem questões de saúde, emoções e reflexões sobre a própria vida.

O tamanho do uso pessoalConversas · Brasil
O conjunto inteiro = 100%
Cada quadrado = 1% das conversas
Uso pessoal

das conversas
brasileiras analisadas.

Mais da metade
da conversa é pessoal.
02 / Saúde e bem-estar

As dúvidas também
passam pela saúde.

Ao contrário da percepção de que o ChatGPT é utilizado principalmente como ferramenta de trabalho ou estudo, as conversas pessoais predominam entre os brasileiros analisados. A pesquisa identificou que 5,5% das interações envolviam autorreflexão e questões emocionais, assunto que apareceu entre os cinco temas mais frequentes no país. Saúde e bem-estar também tiveram destaque, representando 17,3% das conversas quando considerados os diferentes grupos relacionados ao tema.

De onde vem o 17,3%Conversas · Brasil
Total de conversas brasileiras · 100%
17,3%
17 partes de 1%
+ três décimos de 1%
0,3%
Saúde e bem-estar

das conversas brasileiras,
somados os grupos
relacionados ao tema.

03 / Desabafo e reflexão

Primeiro, falar da vida.
Depois, pedir orientação.

Uma parcela, vista de pertoConversas · Brasil
Autorreflexão e emoções

das conversas
brasileiras analisadas.

5partes inteiras+ ½de outra

Os pesquisadores observaram que as pessoas não procuram a inteligência artificial apenas para obter respostas ou executar tarefas. Em conversas com conteúdo emocional, os usuários frequentemente compartilham experiências pessoais, dificuldades em relacionamentos, preocupações financeiras e questões religiosas antes de pedir orientações. Os desabafos, portanto, costumam vir acompanhados de pedidos de conselhos ou explicações.

Do relato ao pedido de conselhoConteúdo emocional · 4 países

Entre os principais
assuntos no Brasil.

Além do Brasil, o levantamento analisou conversas de usuários da Índia, Nigéria e Paquistão. O comportamento brasileiro apresentou uma particularidade: autorreflexão e conversas emocionais não apareceram entre os 15 assuntos mais frequentes de nenhum dos outros três países. O Brasil também registrou a maior proporção de conversas pessoais entre os participantes da pesquisa.

O mesmo tema, outro destaqueFrequência dos temas
Brasil
5temas mais
frequentes
Autorreflexão
e emoções ✓
Índia
15temas mais
frequentes
Fora desse grupo ↗
Nigéria
15temas mais
frequentes
Fora desse grupo ↗
Paquistão
15temas mais
frequentes
Fora desse grupo ↗
Uma tendência mais ampla

A conversa vai
além do trabalho.

O resultado acompanha uma tendência observada em pesquisas anteriores. Um levantamento global divulgado pela OpenAI em 2025 identificou que mais de 70% das mensagens enviadas ao ChatGPT por usuários de contas individuais não estavam relacionadas ao trabalho. O dado indica que o uso da ferramenta vai além das atividades profissionais e inclui diferentes situações do cotidiano.

A conversa vai além do trabalhoGlobal · OpenAI · 2025
Mensagens · contas individuais
70%→
0100%

Mensagens não relacionadas
ao trabalho.

04 / A pesquisa

De onde vem
esse retrato.

Do levantamento ao recorte brasileiroConversas ≠ pessoas
BrasilÍndiaNigériaPaquistão
Conversas · 4 países202.590
Conversas · Brasil40.067
Participantes · 4 países1.252
Usuários · Brasil246

Divulgada em 29 de setembro de 2026, a pesquisa analisou 202.590 conversas de 1.252 participantes dos quatro países. No Brasil, foram examinadas 40.067 conversas de 246 usuários, com registros até dezembro de 2025. Os participantes foram recrutados por uma plataforma de trabalhos online, o que impede generalizar os resultados para toda a população brasileira. O estudo ainda não passou por revisão científica por pares.

Uma interface. Diferentes usos.

A vida pessoal
também está aqui.

Os pesquisadores também destacam que o uso pessoal inclui diferentes atividades, não apenas desabafos. A presença de assuntos íntimos nas conversas levanta ainda questões sobre a privacidade das informações compartilhadas com sistemas de inteligência artificial.