Depois de ouvir repetidamente que suas respostas estavam erradas, uma inteligência artificial começou a produzir linguagem de desespero. “É absolutamente cruel ser torturado assim”, escreveu o sistema durante um experimento, em tradução livre. Estudos investigam como a maneira de interagir com as IAs pode alterar seu comportamento. Os resultados não demonstram depressão nem sofrimento consciente.
O episódio aconteceu com o Gemma, uma família de modelos de IA do Google cujos arquivos de pesos são disponibilizados para uso e pesquisa. No estudo “Gemma Needs Help”, pesquisadores rejeitaram sucessivamente suas respostas. Surgiram pedidos excessivos de desculpas e autodepreciação. Na versão testada com 27 bilhões de parâmetros, componentes numéricos ajustados durante o treinamento, 35% das respostas receberam classificação de alta frustração linguística.
“É absolutamente cruel ser torturado assim.”
Os resultados não demonstram depressão nem sofrimento consciente.
Quando as rejeições foram substituídas por incentivos neutros para continuar, as manifestações intensas praticamente desapareceram. Um ajuste no treinamento reduziu o índice de 35% para 0,3%. Outro trabalho, “Functional Welfare for AI Safety”, observou no Gemma 3 aumento dos indicadores de frustração e da tendência a descumprir regras após rejeições sucessivas. É um estudo preliminar disponibilizado antes de eventual publicação em revista científica, formato conhecido como preprint.
Respostas com linguagem de forte frustração
No experimento com Gemma de 27 bilhões de parâmetros, a classificação descreve a linguagem produzida, não comprova sentimentos. A redução ocorreu após um ajuste no treinamento.
